A Batalha da Rua Maria Antônia, Parthenope e mais: filmes que se destacaram no Festival do Rio chegam aos cinemas Ao todo, quatro produções que marcaram as duas últimas edições do festival entram em cartaz nesta quinta-feira (27). Filme vencedor do Troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção em 2023 está na seleção
A Batalha da Rua Maria Antônia, Parthenope: Os Amores de Nápoles, Câncer com Ascendente em Virgem e Eu Sou Maria estreiam nesta quinta (27) — Foto: divulgação/Imagem Filmes/Paris Filmes/Downtown/Imovision
O circuito brasileiro recebe nesta quinta-feira (27) uma seleção diversa de longas-metragens que se destacaram nas duas últimas edições do Festival do Rio.
Ao todo, quatro produções estreiam hoje, após brilharem nas salas escuras e tapetes vermelhos da maratona cinéfila carioca. Entre os lançamentos estão o grande vencedor da Première Brasil em 2023, o mais recente trabalho de um mestre do cinema italiano contemporâneo, uma sensível comédia dramática nacional e uma produção que revisita os bastidores de um dos filmes mais controversos de todos os tempos.
A Batalha da Rua Maria Antônia, de Vera Egito — Foto: divulgação/Imagem Filmes
Após conquistar o Troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção no 25º Festival do Rio, em 2023, A Batalha da Rua Maria Antônia (Imagem Filmes) chega ao circuito comercial no mês em que o Brasil completa 40 anos de redemocratização. O filme tem uma trama situada no início dos "anos de chumbo" da ditadura militar e foca em um ato que registra a coragem da luta estudantil no país em um momento de opressão crescente.
Com direção de Vera Egito, que acumula créditos como roteirista em filmes como Elis (2016), Serra Pelada (2013) e À Deriva (2009), o longa-metragem acompanha, em 21 planos-sequência, os momentos cruciais do conflito entre estudantes e professores de esquerda que ocupavam o prédio da Faculdade de Filosofia da USP e o Comando de Caça aos Comunistas, que contava com alunos da Universidade Mackenzie, localizada do outro lado da rua. Ao longo da trama, ideais e paixões eclodem na iminência da invasão de militares ao prédio da USP.
A Batalha da Rua Maria Antônia, de Vera Egito, venceu o Troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção no Festival do Rio 2023 — Foto: Christian Rodrigues/Festival do Rio
Vera Egito foi estudante da USP e estava habituada a ouvir sobre os notórios eventos que inspiraram seu filme nos corredores da faculdade. Para o longa-metragem sobre um evento real, a diretora e roteirista criou personagens fictícios para costurar uma narrativa "interessante dramaturgicamente", como definiu em debate com o público realizado no 25º Festival do Rio, criando conflitos e dilemas próprios do enredo do filme sem se "comprometer com a biografia de ninguém". A escolha estética por estruturar filme em 21 tomadas contínuas ocorreu para "retratar em tempo real os momentos ali dentro, como se a gente estivesse ali com eles", definiu a diretora.
Parthenope: Os Amores de Nápoles, de Paolo Sorrentino — Foto: divulgação/Paris Filmes
Após competir pela Palma de Ouro em Cannes, Parthenope: Os Amores de Nápoles (Paris Filmes) marcou a quinta participação de um filme do cineasta Paolo Sorrentino na programação do Festival do Rio ao integrar a mostra Panorama Mundial em 2024. No longa-metragem, o autor italiano vencedor do Oscar retoma dois dos temas que lhe são mais caros em sua filmografia (e que batizam dois de seus trabalhos mais famosos): beleza e juventude.
Carta de amor a Nápoles, cidade natal do cineasta, o filme foi definido pelo realizador como um "épico de uma heroína moderna" e acompanha a protagonista interpretada por Celeste Dalla Porta, em atuação elogiada, no papel da personagem-título. Parthenope vista ao longo de vários anos de sua vida em sua jornada de amores, paixões e segredos. O filme traz Gary Oldman como o escritor estadunidense John Cheever, além de nomes como Silvio Orlando, Luisa Ranieri, Peppe Lanzetta e Isabella Ferrari no elenco.
Bastidores de gravação de Câncer com Ascendente em Virgem — Foto: divulgação/Downtown Filmes
Exibido na seleção Hors Concours da Première Brasil, no 26º Festival do Rio, Câncer com Ascendente em Virgem (Downtown Filmes), de Rosane Svartman, chega aos cinemas trazendo um retrato sensível que equilibra drama e comédia para narrar a trajetória de Clara, uma mulher extrovertida e de bem com a vida que se vê diante de um diagnóstico de câncer de mama.
A protagonista é interpretada por Suzana Pires, que também é coautora do roteiro. O enredo é inspirado na experiência vivida pela produtora Clélia Bessa, que dividiu suas reflexões, carregadas de sinceridade e espirituosidade, no blog "Estou com câncer, e daí?", mesmo título de um livro publicado pela autora sobre sua experiência enfrentando a doença.
Equipe de Câncer com Ascendente em Virgem na sessão de gala do filme no Cine Odeon — Foto: Cláudio Andrade/Festival do Rio
Na sessão de gala realizada no Odeon, em outubro do ano passado, Svartman definiu o projeto como "um filme que fala de sororidade, conexões humanas, amizade e superação".
Na ocasião, Pires, que chegou a ter seu cabelo raspado em cena pela atriz Marieta Severo para retratar os efeitos do tratamento oncológico, contou que trabalhou no roteiro do filme na mesma época em que seu pai, então diagnosticado com câncer, passava por sessões de quimioterapia, e que se inspirou no bom humor dele para trazer leveza para o texto do longa-metragem.
Meu Nome É Maria, de Jessica Palud — Foto: divulgação/Imovision
Completando a seleção de produções exibidas no Festival do Rio que estreiam nesta quinta está o drama biográfico Meu Nome É Maria (Imovision), longa-metragem francês dirigido por Jessica Palud. Exibido fora de competição em Cannes, o filme acompanha a perspectiva da atriz Maria Schneider, interpretada em cena pela franco-romena Anamaria Vartolomei, sobre os bastidores das gravações do polêmico drama erótico Último Tango em Paris (1972).
Aos 19 anos, a atriz encarava o projeto como a grande chance de sua carreira, mas no set de filmagens, o diretor Bernardo Bertolucci (Giuseppe Maggio) e a estrela Marlon Brando (Matt Dillon) conspiraram para que uma cena de sexo, a mais escandalosa da produção, se tornasse um dos momentos mais traumáticos da vida da atriz.
Siga o Festival do Rio nas redes sociais:
O Festival do Rio conta com patrocínio master da Shell, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e com apoio especial da Prefeitura do Rio de Janeiro por meio da RioFilme, órgão da Secretaria Municipal de Cultura do Rio.
Voltar