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De
25 de setembro até nove de
outubro de 2008, o Festival do Rio teve mais uma vez a missão de
estender um
vasto painel do cinema feito hoje no mundo, assim como voltar atenção
para os
grandes realizadores de todos os tempos. Ao todo, foram cerca de 350
filmes
divididos em mais de 20 mostras, com produções de mais de 60 países
exibidas em
30 salas espalhadas pela cidade. O público este ano foi de mais de 220 mil
espectadores.
Mas
não é só de números que é feito o maior festival de cinema da
América Latina. O Festival foi palco também das rodadas de negócios
para
cinema, promovidas pela RioMarket, debates entre diretores e produtores
e o
público no Cine Encontro, espaço para experimentações de novas
tendências, como
foi o caso do Cine Móbile Nokia, especialmente preparado para promover
produções feitas para celulares, além das exibições de filmes nacionais
em
lonas culturais com entrada gratuita.
Para
Ilda Santiago, diretora executiva do Festival ao lado de Walkíria
Barbosa,
“o objetivo principal do Festival do Rio é aproximar quem assiste
cinema de
quem faz cinema”. Por isso, a mudança da base do Festival
para o centro
do Rio não poderia ser mais apropriada. Recentemente restaurado e
inaugurado, o
Centro Cultural da Ação da Cidadania pode centralizar tanto a produção
do
evento como as principais atividades destinadas ao público, empresários
do ramo
e realizadores. “Esse ano nós situamos o Festival no meio da herança
cultural
de nossa cidade, é uma área que nos conecta diretamente com a nossa
história”,
completa Walkiria Barbosa.
O filme de abertura desse ano foi Última Parada 174,
de Bruno Barreto,
produção selecionada para representar o Brasil na disputa por uma vaga
na
categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2009. Quase 1400
espectadores
assistiram o longa nos cinemas Palácio e Odeon Petrobrás, numa
cerimônia que
contou com a presença de Barreto, do elenco e da produção do filme.
Antes do
filme, as diretoras do Festival Walkiria Barbosa e Ilda Santiago
enfatizaram a
projeção que o evento proporciona à cidade do Rio de Janeiro e ao
Brasil.
Para o encerramento, a sessão ficou a cargo de Um homem bom,
co-produção Alemanha Reino-Unido com Viggo Mortensen no papel
principal. O ator
e o diretor, Vicente Amorim, vieram ao festival promover o filme e
apresentar a
sessão de gala. O filme foi a primeira produção internacional de
Amorim, que
disse não ter sentido uma diferença grande entre produzir aqui e fora,
devido
ao grau de profissionalização que já se atingiu no país.
O
melhor do cinema brasileiro
A
Première Brasil é a mostra competitiva do Festival do Rio e a melhor
vitrine
anual da produção cinematográfica brasileira contemporânea. Em 2008, a
Premiére
exibiu 64 filmes brasileiros recentes. A mostra competitiva
é subdivida em três categorias: longa-metragem
ficção,
longa-metragem documentário e curta-metragem.
O
júri oficial foi composto pela atriz Camila Pitanga, pelo diretor e
roteirista Jorge Duran, pela produtora argentina Lita Stantic e pelo
diretor e
ator alemão Wieland Speck, responsável pela programação da mostra
Panorama do
Festival de Berlim (confira aqui
a lista dos filmes que concorreram ao Troféu Redentor 2008).
Além disso, foram exibidos filmes hors concours. Participaram ainda as
produções das mostras Retratos, dedicada a filmes biográficos, e Cenas
do Rio,
com filmes que apresentam as diversas faces da cidade.
Se
nada mais der certo e Apenas o fim:
os grandes vencedores
Os longas de José Eduardo Belmonte e do estreante Matheus Souza foram
os
grandes vencedores segundo o Júri Oficial do Festival do Rio e o Júri
Popular,
respectivamente. Na noite conduzida pelos mestres de cerimônia Leandra
Leal e
Murilo Rosa, a produção brasiliense Se nada mais der certo
levou
também o Troféu Redentor de melhor atriz para Caroline Abras, além do
Prêmio
dos Autores de melhor roteiro. Apenas o Fim, do
diretor carioca de
apenas 19 anos, recebeu ainda uma menção honrosa do Júri Oficial.
O
melhor documentário segundo o Júri do festival foi Estrada
real da
cachaça, de Pedro Urano, enquanto o Júri Popular escolheu Loki
–
Arnaldo Batista, de Paulo Henrique Fontenelle, como seu
preferido. Outro
documentário que saiu vitorioso foi Jards Macalé – Um
morcego na porta
principal, de Marco Abujamra, co-direção de João Pimentel,
ganhador do
Prêmio Especial do Juri.
O Troféu Redentor de melhor direção ficou com Matheus Nachtergaele por A
Festa da menina morta. Ao subir no palco, o diretor
estreante agradeceu
cantando a música A Mãe d'Água e a Menina, de Dorival Caymmi. "Apostei
que
se ganhasse, eu ia cantar", disse Matheus. A Festa da menina
morta
venceu ainda a categoria de melhor ator pela atuação de Daniel de
Oliveira (veja aqui
a lista completa dos vencedores).
O
melhor do cinema
mundial
Durante
os últimos anos, o Festival do Rio ficou conhecido por trazer o melhor
do cinema internacional para o Brasil e em 2008 não foi diferente: mais
de 60
países estiveram representados no programa do Festival através
de aproximadamente 300 filmes. Dos vizinhos da América Latina,
o Festival
ofereceu ao público 20 filmes que tiveram sua estréia nacional. As
mostras
internacionais fixas do festival são: Panorama Mundial;
Expectativa; Limites e Fronteiras; Mostra Geração; Tesouros da
Cinemateca; Dox; Doc Latino; Midnight Movies/ Midnight Songs;
Mundo Gay e
Pocket Films.
A cada ano, o Festival do Rio se propõe a
colocar em destaque a
produção de um país em particular. Em 2008, o país em foco foi o Reino
Unido,
que comemora esse ano 200 anos de relações comerciais com o Brasil.
Foram 21
produções britânicas recentes apresentadas durante o festival na mostra
Foco
Reino Unido. Complementando a mostra, foi exibida uma seleção à parte
em
homenagem a Derek Jarman, com nove de seus filmes e mais o documentário
Derek,
de Isaac Julien, sobre a vida e obra do cineasta.
Outras retrospectivas internacionais
que integraram o Festival desse ano foram:
Fratelli Taviani, que contou com a presença de Paolo Taviani, Arturo
Ripstein,
que recebeu um prêmio FIPRESCI especial, e Divas Italianas, além de uma
mostra
especial dedicada aos 100 anos de imigração japonesa. Esta última
incluiu os
trabalhos recentes de Masahiro Kobayashi, que apresentou cinco de seus
filmes
em sessões do Festival.
Alguns dos filmes internacionais mais procurados do Festival do Rio
2008 foram:
O premiado italiano Gomorra, de Matteo Garrone;
o novo filme de Woody
Allen, Vicky Cristina Barcelona; o argentino La
Leonera, de
Pablo Trapero com Rodrigo Santoro; Call Girl,do português António-Pedro
Vasconcelos;
Queime depois de Ler, o mais
recente dos irmãos Coen, e o
coreano midnight O Bom, O Mau e o Bizarro, de Kim
Jee-Woon, além do
documentário norte-americano Gonzo, de Alex
Gibney.
Cine Encontro
O grande público teve a possibilidade
de assistir aos filmes da Première Brasil
a preços populares e ainda participar dos debates gratuitos com os
idealizadores de cada produção. Como sempre, os bate-papos foram de
grande
valia para os produtores dos filmes, já que nesse evento eles conseguem
ter uma
noção melhor da opinião pública, podendo até influenciar na estratégia
de
lançamento das produções.
Este ano, o debate de abertura
do Cine Encontro teve
como tema “Que filme queremos assistir?”, e contou com a presença de
Marco
Aurélio Marcondes, distribuidor independente e fundador da MovieMobz, e
o
cineasta Cacá Diegues. Debates como esse, que trazem informações de
pesquisas
sobre o expectador do Rio e São Paulo, possibilitam nortear o tipo de
filme que
o brasileiro quer assistir e podem servir como base para futuras
produções
cinematográficas.
Domingos de Oliveira, Selton
Mello, Matheus Matheus
Nachtergaele e Ivan Cardoso foram alguns dos realizadores que estiveram
no Cine
Encontro, entre veteranos e estreantes. Além dos diretores, a presença
dos
profissionais do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro e de
cineclubistas, assim como a participação ativa do público vindo
diretamente das
sessões dos filmes no Odeon Petrobras, garantiram a riqueza dos debates.
RioMarket
Enquanto
grande parte do festival é destinada ao espectador brasileiro, o
Festival do Rio oferece também uma parte dedicada à indústria. O
RioMarket
(www.riomarket.com.br) promoveu encontros que reuniu produtores,
diretores,
agentes de vendas, distribuidores e broadcasters, entre muitos
profissionais do
audiovisual vindos de todas as partes do mundo.
Alguns dos workshops desse ano foram sobre roteirização, apresentado
por Peter
Lliff (de Caçadores de emoção, Jogos
Patrióticos e Sob
Suspeita), filmagem em 3D, por Peter Anderson, diretor de
fotografia de U2
3D e atuação, dado por Robert Castle.
Uma das novidades do RioMarket 2008 foi o I Concurso Latino Americano
de
Projetos de Longa-Metragem. Fruto de uma parceria entre o Festival do
Rio e o
Latin American Training Center (LATC), o concurso contou com o apoio de
instituições de roteiros internacionalmente reconhecidas – a
Universidade de
Miami, FIA & Red Idea e teve como objetivo a descoberta de
novos talentos,
a criação de oportunidades de negócios e contribuição para o
crescimento da
indústria cinematográfica latino-americana.
O
concurso teve um total de onze projetos vindos de toda a America
Latina, e o
vencedor foi S.A.A.R.A – São Jorge e o Passaro Celestial,
de Suzana
Campos, da Pindorama Filmes. Os vencedores ganharam uma viagem para
encontros
de negócios com produtores espanhóis oferecida pela FIA & Red
Idea. O
segundo lugar ficou para outro projeto brasileiro, Capitães
de Areia,
de Cecília Amado, recebeu US$ 8.000,00 (oito mil dólares) oferecidos
pela
Universidade de Miami.
O
cinema de todos os tempos
O
Festival do Rio surgiu em 1999 da fusão de dois dos maiores festivais
de
cinema do país, o Rio Cine Festival, que existia desde 1984, e a Mostra
Banco
Nacional de Cinema, criado em 1988, e pode hoje ser considerado o maior
festival de cinema do continente. Nas palavras de Walkíria, “a cidade
se
envolve com o evento, uma tendência que permanece meses depois, porque
ter
passado do Festival entra no currículo do filme, aumenta o interesse
sobre ele.
Torna-se um selo de qualidade”. Neste ano, o Festival chegou à sua
décima
edição mantendo a sua missão: durante duas semanas, o Rio viveu o
cinema em
escala mundial, e as repercussões durarão o ano todo.
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