Perfis do talento e da superação

ImageA Mostra Retratos apresenta personagens tão diferentes quanto notáveis. Entre as mulheres, está uma russa sex symbol e uma lenda do esporte. E os homens contam com um ilustre contador de histórias e um anônimo colecionador de livros. Elke Maravilha, Maria Lenke, Carlos Manga e Evando dos Santos (foto) são, cada um à sua maneira, pessoas com histórias que somam talento e superação.

Julia Rezende, filha do cineasta Sérgio Rezende, trabalhou como assistente de direção do pai em Zuzu Angel e, durante as filmagens, ficou encantada por Elke Maravilha, que atuou no filme. Dessa fascinação nasceu o curta Elke. “Queria entender o processo de construção da sua imagem e captar o que estava além dos estereótipos formados em torno da figura dela”, diz Julia. No filme, aparecem somente Elke e seu marido Sasha. Julia diz que não queria que fosse um filme-elogio, por isso não entrevistou amigos ou pessoas que já trabalharam com ela. “O filme busca revelar a mulher por trás do personagem, ou do que as pessoas acham que é um personagem”, diz a diretora.

Lêda de Arte Leda é um documentário sobre a vida e a obra da escultora mineira Lêda Selmi Dei Gontijo, primeira mulher a receber a medalha Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras. O curta revela a personalidade irreverente da artista que, aos 92 anos, continua esculpindo em madeira e pedra-sabão no seu ateliê em Lagoa Santa, Minas Gerais. A diretora Daniela Gontijo é neta da artista. “O que me levou a fazer o filme foi a possibilidade de conhecer melhor, registrar e documentar a enorme obra da escultora que é também minha avó”, diz.

Maria Lenk, de Sônia Nercessian, relembra a trajetória da legendária nadadora, primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas e pioneira no nado borboleta. A nadadora treinou até o fim de sua vida, e morreu aos 92 anos em abril deste ano. Este filme é parte de um projeto inacabado da diretora, que pretendia fazer um retrato da mulher brasileira no esporte, desde as pioneiras até as paraolímpicas. Sônia não pôde terminar seu projeto. Morreu em janeiro deste ano.

Carlos Manga tem sua carreira revisitada no filme Quanto mais Manga melhor, de Michele Lavalle. O curta é um documentário sobre o diretor de chanchadas do estúdio Atlântida. A diretora conta que ao assistir ao filme Assim era a Atlântida, do próprio Manga, ficou “impressionada em saber que o Brasil teve um cinema popular que fez muito sucesso por duas décadas”. Resolveu pesquisar mais o assunto e escolheu como personagem o diretor, “pelo brilhantismo que ele sempre teve em saber lidar com o ator”. O resultado é um curta-metragem que conta com os depoimentos de Manga e de atores com quem ele trabalhou, como Chico Anysio, John Herbert e Paulo José.

Em O Homem-Livro, Anna Azevedo filma a paixão e a quase obsessão de um personagem inusitado: um pedreiro que coleciona livros. Durante toda sua vida, Evando dos Santos reuniu um acervo de cerca de 40 mil livros, e sua família dividia o espaço da pequena casa na Vila da Penha, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com sua biblioteca. O curta registra o misto de satisfação e de angústia vivido por Evando com a “perda iminente” de sua coleção, que seria transferida para uma biblioteca projetada por Oscar Niemeyer. Carolina de Assis

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